mira schendel

Como a suíça Mira Schendel usou e abusou da experimentação?

Mira Schendel foi uma artista plástica suíça que viveu muito tempo no Brasil e que, em terras tupiniquins, fez seu nome ser conhecido e seu trabalho admirado. 

Fugindo totalmente do óbvio e sempre focada em experimentar, tanto as correntes que ela abordou em suas peças, como as técnicas utilizadas para elaborá-las não seguiram uma linha exata de pensamento. 

Contudo, jamais demonstraram falta de coesão ou de coerência, visto que os temas levantados pela artista sempre trouxeram uma congruência e uma lucidez inquestionáveis. 

Boa parte de suas obras não apresentava nomes. Porém, todas elas trouxeram uma linearidade que as tornaram facilmente identificáveis e que conferiram a seu trabalho uma linguagem única, repleta de variáveis e ramificações. 

Um dos motivos que explicam um pouco a sua arte diferenciada é o fato de que Mira Schendel, além de artista, era formada em filosofia. 

Entretanto, muito se engana quem pensa que o seu trabalho tenha sido exclusivamente cerebral. Muito pelo contrário, visto que a simplicidade por trás de suas peças chegava a ser desconcertante. Contudo, como já dito, não era totalmente explícita, logo, levava seus observadores a se questionarem e a se deixarem levar pela estética repleta de beleza de suas composições. 

O estilo e a personalidade da artista podem ser resumidos por uma de suas mais célebres frases:

“Meus desenhos são feitos para serem vistos e não falados. A obra de arte tem de falar por si mesma.“

Diante de tudo o que foi dito até aqui, é impossível não ficar curioso em conhecer a biografia de Mira Schendel e suas obras, não é verdade? 

Para conferir a história de vida dessa emblemática artista e conhecer suas principais peças, basta ler este post até o fim. Boa leitura!

Biografia de Mira Schendel: o começo  e as mudanças 

Nascida em 1919, em Zurique, na Suíça, Mira Schendel enfrenta a primeira separação ainda quando bebê. Isso porque seu pai, tchecoslovaco e de origem judaica, se separa de sua mãe pouco tempo depois de seu nascimento. 

Sua mãe, no entanto, demora pouco tempo para se casar novamente. Seu padrasto é um conde italiano, uma figura extremamente respeitada e influente.

Assim sendo, a família parte para a Itália e é lá, mais precisamente em Milão, que Mira Schendel, na década de 1930, decide estudar filosofia. Praticamente no mesmo período, também ingressa em uma escola de arte. 

Porém, chega a Segunda Guerra Mundial e, junto com ela, as perseguições e problemas de todas as espécies. Logo, ela se vê obrigada a abandonar seus estudos e a lutar por sua vida. Afinal, apesar de sua mãe ter se convertido ao catolicismo, a origem da futura artista é judaica. 

Sendo assim, para fugir da perseguição nazista, parte para uma cidade pequenina búlgara e, em seguida, segue para Iugoslávia. 

Lá, mais especificamente em Sarajevo, para conseguir uma permissão de emigração, casa-se com o croata Josip Hargesheimer. O casal foge junto para Roma, com o objetivo de trabalhar na Organização Nacional de Refugiados; e lá ambos permanecem até o fim da década de 1940. 

A chegada ao Brasil e o começo da carreira 

Em 1949, o governo concede uma permissão para que se transfira para o Brasil. Logo, no começo deste exato ano, ela se muda para a “Cidade Maravilhosa”. Contudo, vive pouco tempo no Rio de Janeiro e logo parte para a capital do Rio Grande do Sul. 

Em Porto Alegre, a suíça começa a produzir pinturas intensamente, assim como dá aulas sobre o tema e também trabalha com cerâmica. Além disso, se apaixona por poesia, estuda muito sobre essa narrativa e publica seus primeiros escritos. 

Nesta época, as primeiras obras de Mira Schendel se concentram na estética da natureza-morta e trazem à tona uma certa rigidez.

O despertar pela experimentação e por novos olhares 

É por meio de sua participação na Primeira Bienal Internacional de São Paulo, a qual acontece no ano de 1951, que a artista desperta para o novo, uma vez que na ocasião tem contato com experiências artísticas de todas as ordens. 

Interessada na cena artística paulistana, se muda para a “Terra da Garoa”, em 1953. Neste período, já separada de seu primeiro marido, conhece o livreiro Knut Schendel. 

Com o alemão tem um filho e, em seguida, com ele se casa. A partir de então, começa a assinar como Mira Schendel. 

Alguns anos depois, já na década de 1960, acontece sua produção mais intensa. Nesse período, ela desenvolve milhares de desenhos com a técnica de impressão monotipia. 

Segundo o crítico e curador Paulo Venâncio Filho: “As monotipias dizem muito sobre o caráter de Mira…Elas são inclassificáveis, pois têm elementos construtivos e ao mesmo tempo não abdicam da expressão, um pouco como a personalidade da artista, que era também uma intelectual”.

Em seguida, se envolve com outras técnicas e métodos, como a serigrafia e a litogravura. Além disso, segue escrevendo seus poemas e também trabalha com restaurações de imagens barrocas

Nesta mesma época, tenta demonstrar o que há por trás do invisível, assim como enaltece o espaço em branco, visto que ele a comove de forma profunda.  

A morte da artista acontece em 1988. No entanto, o reconhecimento merecido de seu trabalho só ocorre muitos anos depois, em 2009, quando o Museu de Nova York (MoMA) faz uma homenagem à artista suíça ao trazer uma retrospectiva de suas peças.

Em 2013, o famoso museu londrino Tate Modern traz uma mostra de Mira Schendel que se torna sucesso de público e crítica. 

6 grandes obras de Mira Schendel

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biografia de mira schendel

Crédito: Wikipédia 

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mira schendel obras

Crédito: Wikipédia 

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Crédito: Estadão

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Crédito: Itaú Cultural 

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Crédito: Laart. Foto de Joca Meirelles

Trenzinho

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Crédito: ArtMap

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Aproveite também para conhecer as gravuras assinadas e exclusivas da artista presentes na Laart!

Crédito da foto de capa: WikiArt

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