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o que é antropofagia

O que é antropofagia? Entendendo a antropofagia cultural e todo o movimento antropofágico

A década de 1920 representa um marco na arte brasileira. Afinal, foi em 1922 que aconteceu um dos principais eventos culturais da história, a Semana de Arte Moderna e, assim, o modernismo brasileiro teve início. Pouco tempo depois, foi a vez de Oswald de Andrade explicar o que é antropofagia. Isso aconteceu em 1928, por meio da publicação do Manifesto Antropofágico.

O texto polêmico e radical do artista contou com diversas metáforas e simbolismos. Nessa publicação, surgiu o termo “antropofágico”, uma associação direta à palavra “antropofagia”, que nada mais é do que uma referência aos rituais de canibalismo. Isso porque, nesse tipo de cerimônia, acreditava-se que após engolir a carne de uma pessoa, seriam concedidos ao canibal todo o poder, conhecimentos e habilidades da pessoa devorada.

Quer entender melhor o que o canibalismo tem a ver com o movimento proposto por Oswald de Andrade e saber, de forma mais clara, o que é antropofagia na arte? É só seguir com sua leitura!

Afinal, o que é antropofagia na arte?

A antropofagia nada é mais do uma manifestação artística liderada por Oswald de Andrade. O conceito dessa corrente aconteceu quando o artista, após realizar suas inúmeras viagens na Europa, conheceu e simpatizou com as ideias propostas de Filippo Tommaso Marinetti, o idealizador do futurismo na arte, um movimento que promoveu a tecnologia, o nacionalismo, a inovação e a modernidade.

Dessa forma, com o pensamento voltado para o novo e para o futuro, Oswald de Andrade criou o movimento antropofágico, que aconteceu por meio da publicação de um manifesto na revista Antropofagia, em São Paulo.

Nesse contexto, a proposta do artista foi a de “engolir” as técnicas e as influências de outros países e, assim, fomentar o desenvolvimento de uma nova estética artística brasileira. Logo, surgiria um novo modo de “fazer arte” que contaria, a partir de então, com uma forte identidade nacional e, assim, se desvincularia da influência direta da cultura europeia.

Antropofagia cultural: contexto do movimento

A proposta da antropofagia cultural de Oswald de Andrade promovia o canibalismo da cultura estrangeira. Essa metáfora simbolizava que a influência cultural de outros países deveria ser devorada e assimilada. Assim, a arte brasileira contaria com esses elementos, ressurgindo não como um reflexo cultural externo, mas como uma identidade brasileira multicultural e original.

Nesse cenário, vale ressaltar que a antropofagia proposta englobou outros campos, como o filosófico e o social. Escrito com brilhantismo, o manifesto contou com diversas metáforas, como a famosa frase: “Tupi or not tupi, that the question”, uma alusão à peça Hamlet, de Shakespeare.

Dessa forma, Oswald de Andrade tanto homenageou o autor estrangeiro como  demonstrou que o Brasil conseguia se reinventar e criar, devorando a cultura externa e a transformando em uma arte brasileira criativa e miscigenada.

O papel de Tarsila do Amaral na antropofagia na arte

É fundamental ressaltar a importância do papel de Tarsila do Amaral no movimento antropofágico. Afinal, o nome dessa manifestação artística está totalmente relacionado à pintura “Abaporu”, um quadro que foi dado de presente para seu marido, Oswald de Andrade, em 1928.

antropofagia cultural

Crédito: Wikipédia

Assim, na ocasião, o poeta Raul Bopp perguntou ao escritor: “Vamos fazer um movimento em torno desse quadro?”. Dessa forma, surgiu o nome “Abaporu”, que significa “homem que come gente”. Logo, esse evento se caracteriza também por ser um dos marcos da antropofagia na arte.

Vale enfatizar que além do quadro “Abaporu”, Tarsila do Amaral criou outras obras emblemáticas em sua fase antropofágica, entre elas:

1. “O Lago”  (1928)

movimento antropofágico

 Crédito: Artsy

2. “Sol Poente” (1929) 

Crédito: BBC

3. “Operários”  (1933)

o que é antropofagia

Crédito: Universia

Legado do movimento antropofágico

O movimento antropofágico representou um marco na história da arte brasileira. Isso porque, por meio dele, a identidade cultural nacional brasileira foi prestigiada. Além disso, a antropofagia cultural promoveu intensos debates entre os modernistas da época.

Além dos quadros já citados de Tarsila do Amaral, essa corrente influenciou outros segmentos. Na literatura, por exemplo, o livro “Cobra Norato”, de Raul Bopp é um exemplo. Já, na música, podemos destacar a obra “A Bachianas”, de Heitor Villa Lobos.

Mais tarde, na década de 1960, essa manifestação artística também influenciou o tropicalismo e a bossa nova. Assim, esses dois estilos representaram a proposta de Oswald de Andrade ao deglutirem as influências estrangeiras, as assimilarem e as transformarem em obras com forte identidade nacional.

O movimento antropofágico foi essencial para a cultura brasileira. Afinal, essa expressão artística promoveu novos pensamentos e estimulou a criatividade nacional. Fez isso somando elementos externos e reinventando a arte de nosso país.

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Crédito da foto de capa: Amazon

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Comments (2)

  • Ótimo texto, que, com clareza, expõe a importância da arte nacional e do movimento antropofágico para a criação e manutenção da identidade nacional, brasileira.
    É conteúdo de sobremaneira relevância que, contudo, é de pouco conhecimento dos brasileiros. A sua disseminação poderia influenciar positivamente em diversos campos nos dias de hoje, fortalecendo a valorização dos elementos brasileiros, como a linguagem.

    MARCOS VINICIUS
    Responder
  • Ótimo texto, que expõe, com clareza, a importância da arte nacional e do movimento antropofágico para a criação e manutenção da identidade nacional, brasileira.
    É conteúdo de sobremaneira relevância que, contudo, é de pouco conhecimento dos brasileiros. A sua disseminação poderia influenciar positivamente o fortalecimento da valorização dos elementos nacionais, como a linguagem.

    MARCOS VINICIUS
    Responder

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