Julio Le Parc

Julio Le Parc e a mudança da relação do público com a arte

Julio Le Parc é um artista argentino famoso por seu pioneirismo ao produzir obras de Arte Cinética. Vanguardista e antecipador de tendências, Le Parc é conhecido por representar labirintos de espelhos em suas peças. Assim, hipnotiza sua audiência por meio da ilusão de ótica, característica do movimento da Op Art, apesar de muitas de suas pinturas serem anteriores a ele.

Sua trajetória como artista é marcada pelo estudo da arte concreta e pelo olhar voltado ao diferente. Assim, é conquistado pelo Espacialismo de Lucio Fontana. Logo, essas duas correntes artísticas ajudam a moldar a construção de sua persona.

O seu trabalho “Lumière en Vibration” (1968) encanta os espectadores ao refletir um objeto com luzes pulsantes parecido a um prisma. Assim, causa fascínio e curiosidade em todos. A afirmação seguinte representa bem o seus conceitos e valores:

“Eu estava atacando  a natureza estática das obras de arte”

julio le parcCrédito: Serpentine Sackler Gallery

Preocupado em romper com tudo que conotasse a separação entre a arte a sociedade, seu trabalho reflete bem esse sentimento. Seu interesse pelo assunto se mostra tão grande e genuíno que o artista Julio Le Parc frequentemente questiona o seu público. Faz isso por meio de perguntas inquietas relacionadas à vanguarda e à arte moderna.

Biografia de Julio Le Parc: uma história que se move

Nascido em Mendoza, na Argentina, no ano de 1928, o artista Julio Le Parc frequenta a Escola de Belas Artes de Buenos Aires. Trinta anos depois recebe uma bolsa de estudos e viaja para Paris. Lá o cenário artístico fervilha e ele conhece artistas célebres como Victor Vasarely, o “Pai da Op Art”, e François Morellet, um dos precursores do abstracionismo geométrico.

Posteriormente, ele e Francisco Sobrino apostam na experimentação visual voltada aos efeitos e movimentos ópticos. Assim, brinca artisticamente utilizando a luz para causar efeitos.

É claro que essa experimentação não acontece à toa, já que é fruto da reação do artista a abordagens feitas por estilos como o expressionismo abstrato. Logo, com o objetivo de ruptura, Le Parc expressa os seus ideias em suas peças por meio de experiências sensoriais que aturdem e desconcertam quem as observa.

Dessa forma, em 1960, junto com Sobrino, Morellet e outros artistas, Julio Le Parc dá a luz ao GRAV, ou Groupe de Recherche d’Art Visuel, um grupo destinado a tornar a arte acessível a todos. Assim, o GRAV utiliza o visitante como ator em suas exposições.

Já em 1964, Julio Le Parc recebe o Prêmio Especial no Prêmio Internacional Torcuato Di Tella. Dois anos depois realiza a “Une journée dans la rue”, uma jornada imersiva baseada no estímulo à participação do público, que acontece em diferentes lugares de Paris e que tem como meta atrapalhar a rotina diária e usual da cidade. Para isso, é organizado uma série de eventos em locais estratégicos da Cidade Luz, como metrôs e parques.

Sabe quem também tem trabalhos artísticos voltados à participação do público? Cildo Meireles! Clique aqui e conheça sua trajetória.

julio le parc biografiaCrédito: Eva’s Blog

julio le parc obrasCrédito: Eva’s Blog

Nessa intervenção, o GRAV estimula o público por meio de uma experiência interativa e sensorial, empoderando a audiência e propondo uma nova relação com a arte. 

Também em 1966, Julio Le Parc ganha o Grande Prêmio em Pintura na 33ª Bienal de Veneza. Um ano depois, ele realiza sua primeira exposição retrospectiva no Instituto Di Tella, em Buenos Aires.

Voltado muito mais às experiências do que a presunção de criar obras de arte, o trabalho do artista promove reflexões e debates. Incorporando o movimento das luzes projetadas e refletidas, as peças de Julio Le Parc nunca são óbvias, como você pode observar:

julio le parc obrasCrédito: Laart. Foto de Joca Meirelles. Gostou dessa gravura? Clique aqui e saiba mais sobre ela!

julio le parcCrédito: Laart. Foto de Joca Meirelles. Essa fascinante gravura está no acervo da Laart. Clique aqui e conheça!

Durante os eventos de Maio de 1968, o artista é expulso da França. Logo, viaja os próximos meses e retorna ao país após sua restrição ser anulada.

Outra parte importante de sua história é o término do GRAV que acontece devido à antítese entre o ideal de sua proposta e a circunstância de cada um de seus membros.

A sua trajetória também é marcada pela política, assim caracterizada pela sua participação no grupo de Denúncia da Tortura (1972) e na Brigada Internacional de Pintores Antifascistas (1975).

A partir de meados dos anos setenta, ele desenvolve trabalhos formados em modulações de tons de cinza e insere cores. Nessa época, a BBC de Londres dedica ao artista um documentário, o qual você pode assistir a seguir:

Mais tarde, já entre 1999 e 2000, ele apresenta uma importante exposição que percorre Buenos Aires, Mendoza e Córdoba. Em 2016 é  tema da exposição “Form in Action” que acontece em Miami e inclui mais de 100 obras do artista Julio Le Parc.

Atualmente, Le Parc vive e trabalha em Cachan, na França. Hoje, seus trabalhos estão nas coleções do Museu de Belas Artes de Houston, do Museu de Arte Moderna de Nova York e da Tate Gallery de Londres, e em galerias online como a Laart

Somos uma galeria de arte online, que reúne importantes nomes da pintura do Brasil e do mundo. Possuímos um acervo com obras originais de Julio Le Parc, todas com certificado de autenticidade e com a possibilidade de serem enviadas a qualquer lugar de maneira segura. Então, se você, assim como nós, se encantou com o estilo e personalidade do artista, aceite nosso convite e conheça nossa galeria virtual.

 

 

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