nuno ramos

Como Nuno Ramos criou obras únicas por meio do uso de diferentes linguagens artísticas?

Um artista provocador, que além da pintura, se dedicou à escrita, direção de cinema, dramaturgia, música e esculturas: esse é Nuno Ramos, um dos maiores nomes da arte contemporânea brasileira.

Ao longo de sua carreira, Nuno Ramos se dedicou a abordar os temas do contemporâneo em diferentes linguagens e foi muito bem-sucedido nessa missão, tanto que teve seu trabalho reconhecido por grandes prêmios nacionais e internacionais, participou de importantes eventos no Brasil e no exterior e continua atuando com maestria.

Saiba mais sobre quem é Nuno Ramos, a trajetória do artista e suas principais obras.

Quem é Nuno Ramos? Biografia do artista

Nascido em 1960, na cidade de São Paulo, Nuno Ramos graduou-se em Filosofia pela Universidade de São Paulo em 1982. A vida de Nuno Ramos foi cercada por estímulos artísticos desde a sua entrada na universidade.

Durante a graduação, já demonstrou grande interesse pelas artes, ao editar a revista de poemas, ensaios e artes visuais “Almanaque-80” e a “Kataloki”, que tratava do panorama da poesia paulista da época.

Depois da sua formatura, em 1983, foi um dos fundadores do ateliê Casa em 7, em parceria com os artistas plásticos Paulo Monteiro, Rodrigo Andrade, Carlito Carvalhosa e Fábio Miguez.

Esse grupo foi de grande importância para a arte brasileira, pois propôs novas linguagens para se trabalhar a pintura no país.

No final dos anos 1980, Nuno Ramos trabalhou bastante com diversos tipos de materiais e suas aplicações, como parafina, breu, lona e sucata.

Já nos anos 1990, se dedicou a explorar outras linguagens como a escrita, a escultura, as instalações e a land art (um tipo de arte efêmera).

Em 1993, publicou seu primeiro livro, intitulado Cujo. Já nos anos 2000 começou a se dedicar ao cinema, com os curta-metragens Luz Negra e Duas Horas, dos quais foi roteirista e co-diretor, em 2002.

Entre as suas principais exposições individuais estão as produzidas para:

  • Gallery 32 (Londres, 2010);
  • Galpão Fortes Vilaça (São Paulo, 2010);
  • Museu de Arte Moderna (Rio de Janeiro, 2010).

Além disso, participou de importantes eventos como a Bienal de Veneza de 1995, na qual foi representante do pavilhão brasileiro, e das Bienais Internacionais de São Paulo de 1985, 1989, 1994 e 2010.

Entre os principais prêmios e bolsas que ganhou ao longo da carreira estão:

  • Prêmio Aquisição do 2º Seção Paulista de Arte Contemporânea (1984);
  • Prêmio Viagem ao Exterior do 7º Salão Nacional de Artes Plásticas (1984);
  • Bolsa Émile Eddé, do MAC USP (1987);
  • Bolsa da Fundação Vitae (1994);
  • Prêmio da Associação Nacional de Críticos de Arte (1994);
  • vencedor do concurso realizado em Buenos Aires para a construção de um monumento em memória aos desaparecidos durante a ditadura militar argentina (2000);
  • Prêmio Mario Pedrosa, artista de linguagem contemporânea da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) (2005);
  • Prêmio Barnett and Annalee Newman Foundation, de Nova York (2006);
  • Prêmio Portugal Telecom com o livro “Ó” (2008).

Atualmente, o artista continua trabalhando e desenvolvendo novas instalações a partir dos temas que o provocam, como a cultura e a política brasileira, e expondo em museus de arte no Brasil.

O que aborda o trabalho de Nuno Ramos?

Ao longo de sua carreira, o trabalho de Nuno Ramos abordou temas do contemporâneo com diferentes linguagens, por meio de críticas provocadoras e colocando em centro debates sobre a cultura e política brasileira. Tudo isso a partir da potencialidade, concretude e transformação de materiais.

Para o artista, transformar, desconstruir e dar novos significados para a matéria é um dos pontos centrais da sua obra. Assim, a matéria funciona como um fio condutor para a criação.

Ao definir suas obras o autor afirmou: “meu trabalho tem um investimento de energia violento. E só no retorno dessa energia enxergo um sentido nele. É sempre ir para fora e depois cair para dentro”.

Entre as instalações de Nuno Ramos que demonstram a grandiosidade, criatividade e impacto da sua obra estão “111” de 1992, “Morte das Casas” de 2004 e “O globo da morte de tudo” de 2012.

Na primeira, Nuno Ramos relembra o assassinato de 111 presidiários pela PM no presídio do Carandiru em São Paulo. A instalação continha 111 lápides em forma de paralelepípedos, cobertas de asfalto e com os nomes das vítimas, além de trazer um recorte de jornal com a notícia do massacre e cinzas de páginas da Bíblia.

Nuno Ramos - 111

Obra 111 de Nuno Ramos. Crédito: Enciclopédia Itaú Cultural 

Na parede, o autor fixou um texto com letras de parafina em superfícies de vidro, também preenchidas com folhas da Bíblia queimadas. Essa exposição foi uma das principais responsáveis por projetar o artista internacionalmente.

Já em “Morte das Casas”, Nuno Ramos explorou o elemento água na arte. Isso foi feito por meio de uma cascata de 20 metros que corria pelo vão central do Centro Cultural Banco do Brasil. Do lado de fora do edifício, era declamado o poema “Morte das Casas de Ouro Preto”, de Carlos Drummond de Andrade.

Por fim, em “O globo da morte de tudo”, o artista mostra a grandiosidade de seus projetos. Para a sua criação, foram utilizadas inúmeras peças como taças, peruca, vaso sanitário umidificador, as cinzas de uma edição de “As Pupilas do Senhor Reitor”, molde de gesso de arcada dentária, violão incinerado, tulipas negras, pneu, motor, urinol e troféu.

Os elementos da natureza, como o solo, o mar, as rochas e o tempo já foram parte integrante de seus trabalhos, com obras ao ar livre. Entre elas, podemos citar:

  • “Iluminai os terreiros” (2006);
  • “Marémobília, Marécaixão e Minuano” (2000);
  • “Calado e Dois irmãos” (2003);
  • “Cabreúva” (2001);
  • “Fornalha” (1997);
  •  “Matacão” (1996) .

Para a doutora em História Rosângela Miranda Cherem: “recusando o que não se deixa resumir pela simplicidade de um  presente, o artista toma para si a tarefa de um constante trabalho de desconstrução da  forma conhecida, domada pela consecutividade e pelo arbítrio, em proveito de uma cumplicidade com o transbordamento das imagens e o deslizamento das linguagens”.

Quais são as principais obras de Nuno Ramos?

Os principais trabalhos de Nuno Ramos são provocativos e densos. Entre as suas obras podemos destacar as seguintes.

Morte das Casas (2004)

Nuno Ramos - Morte das casas

Crédito: Enciclopédia Itaú Cultural

Gravura em metal (1998)

gravura em metal - nuno ramos

Crédito: Laart – foto de Joca Meirelles

Vidrotexto 3 (1991)

Vidrotexto 3 - Nuno Ramos

Crédito: Nuno Ramos

Iluminai os terreiros (2006)

Iluminai os terreiros - Nuno RamosCrédito: Nuno Ramos 

Sem título (1988)

Sem título - Nuno Ramos

Crédito: MAC USP

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Crédito da foto de capa: Eduardo Ortega/Quatro cinco um

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